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Política

Ano eleitoral reforça importância de identificar desinformação nas redes

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Em ano eleitoral, compreender a desinformação é fundamental para o exercício da democracia e para a preservação do Estado Democrático de Direito. As redes sociais e o amplo acesso à internet fazem com que conteúdos se espalhem em minutos, sem uma checagem rigorosa dos fatos e sem o apropriado conhecimento dos usuários de como funciona a desordem informacional.

Antes de avançar, é importante compreender que o termo fake news é um oxímoro, figura da linguagem que combina palavras de sentidos opostos ou contraditórios em uma mesma expressão, criando um paradoxo. A notícia (news), de acordo com a definições adotadas por pesquisadores e registradas em dicionários, necessita relatar um acontecimento recente, um fato real ou uma novidade de interesse público. Assim, a notícia não pode ser caracterizada como “falsa”, pois se não se trata de um acontecimento real não é entendido como notícia.

O emprego da palavra fake news, contudo, facilita a compreensão sobre o que é a desinformação, termo mais adequado utilizado por pesquisadores. O uso da expressão não é inválido. Na prática, ele contribui muito para a compreensão da sociedade sobre a desordem informacional.

O que é desordem informacional?

De acordo com a organização internacional First Draft, desordem informacional é a circulação de conteúdos falsos, enganosos ou manipulados no ambiente digital e nos meios de comunicação. A First Draft é uma rede global dedicada ao estudo e ao combate à desinformação, que reúne jornalistas, pesquisadores e especialistas em tecnologia para analisar como informações distorcidas se espalham no ecossistema informacional.

O termo busca explicar as diferentes formas de distorção da informação que podem afetar o debate público, influenciar a formação de opinião e comprometer processos democráticos. O conceito permite compreender que o problema não se limita apenas a conteúdos totalmente falsos, mas também inclui materiais verdadeiros apresentados fora de contexto, manipulados ou disseminados de maneira enganosa.

É importante que o consumo de informações seja feito de forma consciente.

Especialistas costumam dividir o fenômeno em três categorias principais:

Mesinformação: quando informações falsas são compartilhadas sem intenção de enganar;

Desinformação: divulgação deliberada de conteúdos falsos para manipular ou confundir o público.

Malinformação: uso de informações verdadeiras fora de contexto ou de forma distorcida para prejudicar pessoas, grupos ou instituições.

A desordem informacional ganhou destaque nos últimos anos com a expansão das redes sociais e da circulação rápida de conteúdos digitais, especialmente em períodos eleitorais e em debates sobre políticas públicas. O tema passou a ser discutido por governos, tribunais eleitorais, plataformas digitais e pesquisadores como um desafio para a integridade da informação e para o funcionamento das democracias.

As sete categorias de desinformação.

Pesquisadores classificam a desinformação de maneiras variadas. Por isso, é comum encontrar terminologias distintas e números diferentes de categorias. De acordo com a Academia Lupa, braço educacional da Agência Lupa, a desinformação apresenta “sete engrenhagens”.

Os sete tipos de mesinformação e desinformação costumam ser classificados como conteúdos que vai do “dano baixo” ao “dano alto”. Nessa escala, o fenômeno vai da sátira, considerada menos danosa, ao conteúdo fabricado, apontado como o de maior dano.

Sátira e paródia.

A Agência Lupa classifica a sátira ou a paródia como “conteúdos humorísticos que não têm, necessariamente, a intenção de prejudicar, mas que podem enganar quando são compartilhados fora do contexto original”. Assim, quem cria e compartilha esse tipo de conteúdo nem sempre tem a intenção de desinformar.

Um portal satírico muito conhecido na França, que apresenta as mesmas características de um site jornalístico, chegou a publicar um conteúdo humorístico que dizia que Emmanuel Macron, atual presidente da França, visitou uma fábrica e afirmou que “quando aperto a mão de um pobre, sinto-me sujo o dia todo”.

A publicação, unida da imagem atribuída ao presidente de elitista, fez com que quem se deparasse com a denúncia, não reconhecesse a sátira da postagem.

Falsa conexão.

A falsa conexão é caracterizada por unir manchetes, imagens e legendas que não correspondem ao conteúdo real do material.

“É a lógica do “clique pela indignação”: o título promete uma revelação bombástica que o texto não sustenta.”

Apesar de aparecer como a segunda menos danosa, a falsa conexão faz com que os consumidores de informação percam a confiança na mídia. Isso gera um cenário de instabilidade para a imprensa e a circulação de notícias relevantes de interesse público.

Conteúdo enganoso.

O conteúdo enganoso trata de informações verdadeiras usadas de forma seletiva ou distorcida para enquadrar alguém ou algum tema. Um exemplo é a utilização de uma foto antiga apresentando-a como atual, ou o uso de uma imagem de outro local para retratar uma cidade específica.

Nesse caso, conteúdos autênticos circulam acompanhados de informações contextuais falsas.

Conteúdo impostor.

O conteúdo impostor ocorre quando marcas, veículos de imprensa ou instituições legítimas são imitadas para dar credibilidade a informações falsas. Um exemplo frequente é o uso indevido de logotipos de veículos jornalísticos em imagens manipuladas que simulam manchetes.

Conteúdo manipulado.

Nesse tipo de desinformação, um material genuíno é alterado para enganar o público. Um caso conhecido ocorreu com um vídeo da então presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, cuja velocidade foi reduzida para fazê-la parecer embriagada, distorcendo a percepção de sua fala.

Conteúdo fabricado.

É o grau máximo da desinformação. Nesse caso, trata-se de informações totalmente falsas, criadas deliberadamente para enganar e causar danos. Conteúdos fabricados costumam circular intensamente nas redes sociais, especialmente em contextos de crise política, conflitos internacionais ou períodos eleitorais.

A First Draft utiliza o exemplo de uma informação falsa publicada em 2016 que dizia que o Papa Francisco havia “endossado Donald Trump”. A publicação circulou durante as eleições presidenciais de 2016 nos Estados Unidos da Améria (EUA), quando Trump foi eleito presidente.

Agências de checagem.

É importante que o consumo de informações seja feito de forma consciente, sobretudo em períodos eleitorais, quando cresce a circulação de conteúdos enganosos com potencial de influenciar a opinião pública. Nesse contexto, as agências de checagem cumprem papel essencial ao verificar declarações de autoridades, publicações virais, imagens, vídeos e dados que circulam nas redes e em aplicativos de mensagens.

Essas organizações atuam para confrontar boatos com evidências, documentos públicos, bases de dados oficiais e fontes identificadas. Ao fazer esse trabalho, ajudam a reduzir a circulação de conteúdos falsos e oferecem ao cidadão instrumentos para distinguir fato, opinião, manipulação e mentira deliberada.

Além das agências de checagem, também é fundamental buscar portais jornalísticos confiáveis, que trabalhem com apuração, edição responsável, transparência sobre as fontes e compromisso com a correção de eventuais erros. Em um ambiente marcado pela velocidade e pela disputa por atenção, veículos que seguem critérios profissionais de reportagem funcionam como referência para o acesso a informações verificadas.

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Fonte: Congresso em Foco.

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