Por Crispiniano Neto (Jornalista, engenheiro-agrônomo, escritor e poeta).
A sucessão da governadora Fátima Bezerra pode ser dividida em dois momentos: Antes e Depois da pesquisa Quaest.
Claro que tivemos momentos marcantes antes, como a desistência de Walter Alves de ficar na governadoria e ser candidato à reeleição. E, de modo especial, a desconfiança de Walter desistir de desistir, caso Fátima desistisse do cargo para ser candidata ao Senado. A extrema coragem da governadora de ficar no Governo mesmo diante da perspectiva de ficar sem cargo eletivo a partir de janeiro prevaleceu e isto abalou o cenário, porque ela teve que colocar no seu lugar de candidata ao Senado, uma vereadora jovem, naquele momento sem chances palpáveis diante dos atuais senadores Styvenson Valentin e Zenaide Maia, ambos montados numa montanha de dinheiro de emendas e com dois nomes feitos e consolidados em gigantescas listas de apoio. E como candidato a governador, um técnico: Carlos Eduardo Xavier, o Cadu, respeitado secretário de Tributação, mas que não carrega no currículo uma eleição sequer, de líder de classe no curso primário ou de líder comunitário.
A impressão daquele momento era de que Fátima Bezerra estava enterrando definitivamente o seu nome na lata do lixo da história política potiguar e nacional, até porque amargava índices chocantes de desaprovação.
Vieram as pesquisas, as articulações de apoios, uma reca de vereadores e prefeitos correndo como ratos de navio, se abrigando nas candidaturas de Alysson Bezerra e de Álvaro Dias, incluindo-se aí, prefeitos e prefeitas que devem muito ao apoio administrativo e político de Fátima Bezerra e apoio político do PT nos planos local, estadual e nacional.
Tratavam Cadu como pato morto e Fátima, como se ela fosse apenas uma governadora em fim de mandato e de carreira, como se diz no folclore político, já em tempos em que até o cafezinho lhe chega frio e só o vento lhe bate nas costas.
Calendário eleitoral em andamento, Cadu começou com um bandeiraço em Natal e uma carreata em Mossoró, ambos com uma forte presença da militância do PT e de outros partidos de esquerda acostumados a farejar de encontro aos ventos, com uma experiência que já beira o meio século, desde quando não havia eleições presidenciais, seguido das três derrotas presidenciais seguidas e de quando o Rio Grande do Norte lançava candidatos só para demarcar posição, até chegar ao ponto de não mais lançar candidaturas, apoiando nomes como Wilma e Robinson Faria, até Fátima sair senadora, ser eleita e se viabilizar para o Governo do Estado, ganhando e fazendo um governo remando contra a maré, gerindo um Estado mais “quebrado que arroz de terceira”, com Bolsonaro na Presidência e com ministros potiguares jogando contra, na base da canelada, além de uma pandemia que assustou as potências econômicas, imagine-se um estado pobre, periférico e combalido como o nosso.
Em uma semana de campanha, ainda sem programa eleitoral gratuito, quando Cadu começa mostrar quem é “Cadu de Lula” e quem é “Cadu Cadu”, o homem que, ao lado de Aldemir Freire, foi o pilar de sustentação da reanimação fiscal do elefante combalido, depois da falência múltipla de órgãos sofrida com Rosalba, Robinson, Bolsonaro e a COVID-19.
O quadro desenhado por pesquisas que traziam Cadu abaixo dos dois dígitos, diante de dois ex-prefeitos, que eram considerados “governadores de férias”, tanto pelos seus cordões de puxa-sacos, quanto pelos miquinhos amestrados, especialmente nas redes sociais movidas a propinas e a banda podre da mídia, que “confunde a chamada opinião pública com a opinião publicada”, sem base no “por quê”, mas quase sempre no “por quanto”.
Eis que chegou a pesquisa Quaest com Allyson (União) com 25%, Cadu de Lula (PT), com 21% e Álvaro Dias (PL), com 19%.
A primeira pergunta que aflora é sobre a credibilidade do Instituto Quaest. E a resposta é unânime. Trata-se de um instituto sério, sim. A outra: como estavam os três candidatos na pesquisa anterior. Não tinha pesquisa anterior desse instituto, mas que Alysson vinha surfando acima dos trinta por cento e Álvaro nadava de braçadas entre o primeiro e o segundo lugares “é com que se balança menino” na taba de Poti. E ainda, que Cadu patinava abaixo dos dez por cento, também. Mas eis que 25%, 21% e 19% assustaram a todos e todas, é consenso.
Além dos números, as tendências impressionam mais ainda. Pois os 25% de Alysson têm sabor de conquista de vice em campeonatos. O título que se ganha perdendo. Raríssimo era o levantamento com Alysson abaixo dos 30%. Aliás, se discutia até se ele havia batido no teto com 38%, nunca caindo abaixo dos 32%. Ou seja, Alysson está em primeiro lugar, mas em forte tendência de queda. Já Álvaro Dias perdeu a primazia do segundo lugar, com algumas beliscadas na condição de primeiro colocado. Ou seja, mantido esse diapasão, ele estaria fora do segundo turno.
Cadu dobrou a aposta, indo dos 8 ou 9% para os 21%, o que é um crescimento assustador, logo depois de conseguir emplacar o nome “Cadu de Lula”, questionado até na Justiça Eleitoral e a vinda de Lula para o primeiro compromisso depois do lançamento da própria candidatura. A queda da desaprovação de Fátima e do seu governo também têm muito a ver com esse resultado e o engajamento da militância, mesmo sem recursos e quase ainda sem articulação de peso nem voz de comando unificada.
Como se não bastasse, ainda vem o quadro do Senado, de anteontem pra cá, trazendo análises de que o jogo já não está tão definido quanto se achava antes.
Lula com uma maioria estupenda no RN e ainda um percentual altíssimo de eleitores do presidente ainda pensando em votar em Alysson, numa casadinha ilógica que começa a derreter com o simples e frágil início da campanha, além da identificação da candidatura de Álvaro Dias com o bolsonarismo fascista e podre, apoio que ele quer, mas tenta esconder.












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