Por Caio César Muniz (Jornalista).
O dia 25 de setembro era uma data aguardada por Vingt-un Rosado. Não por ser seu aniversário, mas pela espécie de prestação de contas que ele fazia à sociedade do papel importante da Fundação que levava o seu nome em torno da produção anual da Coleção Mossoroense, selo editorial recordista de títulos publicados no Brasil, quiçá no mundo.
Hoje era dia dele acordar cedo e nos mudarmos para a Loja Maçônica Jerônimo Rosado. Era dia de arrumar o salão com todas as obras publicadas de um ano para o outro, era dia de celebração editorial, inclusive, dos presentes que gostava de receber, nenhum lhe agradava mais do que resmas de papel.
Em um destes anos, não lembro qual, mas dentro de uma das primeiras edições do Projeto Rota Batida, chegamos a publicar mais de 400 títulos numa só Noite da Cultura, faltou espaço no grande salão e acho que em nenhuma parte do mundo, um selo editorial publicou tantas obras numa só noite.
Quanto a qualidade, não se questiona. Vingt-un era da teoria de que: se tem um autor, tem um público. E ainda: quem somos nós para julgar um trabalho publicado. O tempo julgará. Hoje, vemos que ele estava certo. Quantas pessoas buscam o acervo da Coleção Mossoroense para pesquisar os temas mais diversificados?
Cartas, poemas, seca, paleontologia, história, cangaço… Difícil não um tema que não esteja inserido naquele universo bibliográfico maior que o Rio Grande do Norte e que agora é abraçado pelo Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró.
Vingt-un se foi em 2005, hoje faria 107 anos. Inquieto e com um senso de urgência inexplicável, faz uma falta danada à geografia humana de Mossoró. como bem o disse o escritor Vicente Serejo numa homenagem ao centenário deste grande mestre da nossa cultura: “o mundo irá dar mil voltas e não produzirá um segundo Vingt-un”. A Noite da Cultura também hoje é mera figuração, mas nada é permanente nesta vida, apenas a morte. Vingt-un não voltará, mas para a Noite da Cultura, ainda há esperança de um recomeço.












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