Não há dúvidas de que a pandemia pela qual passamos há pouco mais de seis anos deixou marcas terríveis em muita gente. Muitas perdas, muitas lágrimas e muitas histórias a contar. Naquele momento, achava-se que a humanidade sairia melhor da experiência tão traumática. O empresário Matheus Patrick, de 34 anos de idade, é uma prova de que em alguns casos, sim, ficamos melhor.
Filho de seu Francisco Matias de Sousa, mais conhecido como “Matias Mandioca”, Patrick tinha em 2020 dois grande restaurantes, mas chegou a possuir cinco espaços voltados à gastronomia, uma das atividades mais afetadas pela famigerada pandemia de Covid-19 e que levou o jovem empresário a uma situação muito complicada.
“Eu perdi casa, perdi apartamento, perdi terreno, perdi carro e fui morar de favor na casa da minha sogra. Minha esposa tinha saído do hospital. Eu pedi pra ela sair na época, com medo dela falecer e ela ficou desempregada, eu desempregado, sem nada. Morávamos de favor num quarto só. Antes, a gente tinha um apartamento e foi morar todo mundo num quarto. Eu, minha esposa e minha filha, na época, com três anos de idade. Então, a dificuldade foi tão grande que a gente ficou sem recurso de nada”. Relata Patrick com a voz embargada pelas lembranças.
Diante do caos instalado, um episódio específico marcou a vida de Patrick para sempre, mas, ao invés de se render, o jovem tomou como lição e resolveu transformar toda aquela tristeza em força e solidariedade.
“Minha filha um dia me pediu uma bolacha recheada e eu não tive condições de comprar pra ela. Isso aí me marcou, como isso aí me marcou. Eu fiquei com aquele negócio na minha cabeça, no meu coração, de que um dia, quando eu tivesse condições novamente eu iria fazer um projeto social voltado para crianças. Pra que nenhuma criança passasse a dificuldade que a minha filha passou ou que não tivesse nada pra comer. Eu fiz um voto com Deus, na verdade”.
E foi assim que nasceu o projeto Liga da Alegria, capitaneado por Patrick e toda sua família e que já atendeu 32 comunidades na região de Mossoró ofertando alimentação para mais de 25 mil pessoas desde setembro 2025 quando foi iniciado.
“O projeto leva não só o alimento, mas diversão para as comunidades carentes. Levamos 200 cachorros-quentes, sopa, cuscuz recheado, refrigerante, pipoca e levamos também os Bonecos da Alegria, com dança e música. A gente leva a verdadeira festa de aniversário que, às vezes, uma criança pobre nunca teve na vida.” Detalha Patrick.

Cadeiras de rodas
Além do trabalho de alimentação e recreação, Patrick e sua família também iniciaram um trabalho de doação de cadeiras de rodas, onde eles recuperam os equipamentos e repassam a quem esteja necessitando.
“A gente pega cadeiras de rodas já usadas. Alguém que tem uma cadeira parada, não funciona mais, tá quebrada e às vezes pensa em jogar no lixo. A gente vai lá, pega a cadeira, leva pra uma oficina que a gente tem e deixa ela zerada pra gente faz a doação pra quem precisa.” Diz o empresário que já doou mais de 20 cadeiras tanto de rodas como de banho.
Atualmente Patrick é administrador do Rancho Nordestino, um restaurante voltado às tradições e à gastronomia regional e agradece a Deus pelas conquistas não só como empresário, mas como alguém que descobriu no momento mais difícil, o poder da solidariedade.
Minha filha queria uma coisa básica, que era uma bolacha, algo de 25 centavos, 50 centavos e eu não tive como fazer isso pra ela. Hoje conseguimos abrir o restaurante. Eu, junto com a minha família todinha, meu pai o proprietário, meu irmão, minha mãe, minha esposa, com o apoio de todo mundo, consegui me refazer. Deus foi tão bom comigo, que os cinco restaurantes que eu tinha não eram do tamanho do que temos hoje.” Finaliza Patrick.















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