A Prefeitura do Assú emitiu nota de pesar e decretou luto oficial de três dias no município em virtude do falecimento do poeta, escritor e memorialista Paulo Varela, ocorrido nesta terça-feira (9). Reconhecido como uma das expressões da identidade cultural de Assú, historicamente denominada como a Terra da Poesia, o escritor deixa um legado fixado na literatura de cordel, na poesia e na preservação da memória regional.
A gestão municipal manifesta solidariedade aos familiares, amigos e admiradores de seu trabalho, determinando que as bandeiras institucionais nos prédios públicos permaneçam hasteadas a meio-mastro durante o período de vigência do decreto.
A trajetória de Paulo Varela recebeu reconhecimento público recente durante as exibições do espetáculo Auto de São João Batista 2026, encenado nos dias 6 e 7 de junho no Anfiteatro Arcelino Costa Leitão, onde sua contribuição para a história local foi integrada ao roteiro das celebrações dos 300 anos do padroeiro.
Os atos de homenagem póstuma integram o reconhecimento da administração pública à relevância de sua obra para as futuras gerações de escritores e para a manutenção do patrimônio literário assuense.
Quem foi Paulo Varela
Natural de Assú, a “Terra da Poesia”, Paulo Varela construiu uma trajetória marcada pela defesa das raízes culturais nordestinas. Seus versos retratavam personagens, costumes, festas populares, histórias do sertão e o cotidiano do povo do interior, contribuindo para preservar memórias e fortalecer a identidade cultural potiguar. Ao longo da carreira, tornou-se uma referência da chamada poesia matuta, sendo frequentemente apontado como um dos maiores representantes do gênero no Nordeste.
A notoriedade de seu trabalho ultrapassou as fronteiras do Rio Grande do Norte. Um dos momentos mais marcantes de sua trajetória ocorreu em 2005, quando participou do Programa do Jô, na TV Globo. A apresentação levou a poesia popular potiguar para uma audiência nacional e ajudou a consolidar seu nome entre os principais divulgadores da cultura nordestina no país. A repercussão foi tão positiva que sua participação voltou a ser exibida posteriormente.
Antes de dedicar-se integralmente à arte, Paulo Varela trabalhou por muitos anos no setor de telecomunicações. Depois de percorrer diversas regiões do Brasil, decidiu abandonar a carreira empresarial para mergulhar definitivamente na literatura, no cordel e nas manifestações culturais populares. Além de poeta, também atuava como xilogravurista, escultor, cenógrafo e contador de causos, acumulando experiências que ajudaram a moldar sua produção artística.
Sua atuação não se limitou à escrita. Em Natal, foi um dos fundadores do espaço O Encanto do Cordel, criado em 2006 com o objetivo de fortalecer a circulação da literatura de cordel e incentivar novos autores. No local, promoveu encontros, saraus, oficinas e atividades voltadas à difusão da cultura popular. Também desenvolveu trabalhos com xilogravura, ilustrando folhetos e incentivando outras pessoas a conhecerem a técnica.
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Com informações da Agência Saiba Mais.













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