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Oito de Janeiro – quando política apoia a ignorância

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Por Henes Dácio Urbano Muniz.

Não é necessário que todas as pessoas sejam politizadas pra que vivamos com um mínimo critério de entendimento político, pois, para nós, o povo, política boa é a que traz comida à mesa, mas uma nação sem cultura política pode se tornar prisioneira de ideias e valores que sufocam o verdadeiro  sentido e a  necessidade da política entre os povos.

Ela está aí, e eu, direta ou indiretamente, dependendo de uma política bem construída a troco do debate, do questionamento das ideias dos muitos grupos ou ramificações existentes.

Mas, na cultura do não conhecimento dos ideais políticos de partidos e candidatos, nós podemos vir a ser apoiadores das ideias mais absurdas em defesa da desconstrução política de um país ou nação.

Infelizmente, hoje, nós, brasileiros, trazemos na memória um dia de caos instalado, mas não em torno de um evento em si (8 de janeiro), mas da construção da desconstrução das regras institucionais, dos debates cívicos e das divergências

As pessoas que estiveram ali na fatídica tarde não eram produtoras do eventual quebra-quebra nas sedes dos Poderes da República. Era uma massa insuflada pelo ódio, eram como gafanhotos famintos. Elas estavam e praticaram atos por causa da ignorante relação entre o mal político e os seus representantes.

Foi necessária a condenação de muitos, pois crime cometido precisa de ação condenatória e não precisamos conhecer do Direito Penal pra que se entenda isso, isto, até os mais pueris entendem.

O crime precisa ser punido, e o criminoso ser condenado, mas a maior condenação da maioria das gentes envolvidas ali está no fato de desconhecerem o que lhes foi encucado pelos seus líderes políticos.

As cenas que foram mostradas ao vivo (por eles mesmos) de todo o desmantelo ali feito é um subproduto do idealizador contumaz. Faltava um e ali ele se apresentou como líder maior. Aos poucos se fez artífice e construtor dos ideais mais arbitrários que subjugaram os povos.

Na falta de líderes surgem azinheiras, como no livro dos juízes de Israel.

– Quero que esse reine sobre nós.

Segue-se, então, a desconstrução da política da arte de governar.

Sob o desenvolvimento do gradual assédio das massas, vieram os autores dos atos violentos achando que o vilipêndio é uma ferramenta que poderia ser usada em defesa dos ideais políticos dos envolvidos.

Onde sobeja a ignorância, a violência toma as rédeas, mas o indivíduo que quebrou o patrimônio público foi instado por fatores apolíticos, então a aversão a política gerou o caos.

É preciso relembrarmos, de fato, porque a memória ou falta dela pode nos levar a outros dias brutais como aquele, que, se dependesse de nós, já teríamos esquecido, mas não pode haver lapsos, não pode haver descaso, é preciso trazer, e se possível condenar uma suposta e eventual tentativa de ruptura democrática no futuro.

Sinceramente, a democracia precisa de reformas, mas eu prefiro a democracia que precisa de muletas (pois mesmo sendo ruim, eu tenho direitos) do que galopar nos cascos dos cavalos da ditadura onde eu não terei sequer direito à fala, se é que eu terei algum direito, talvez o único será fugir como as perdizes sobre os montes pra não serem alvejadas.

Quantos homens foram necessários morrer pra que hoje eu tenha direito ao voto? Quantos corpos foram torturados? Tantos outros desaparecidos?

Eu não penso que pareçam poucos, mas não era para haver nenhum.

O topo magistral da tribuna estava ocupado por pessoas dispostas a paquerar com os maiores absurdos usados para lhes garantir poder, influência, ainda que fosse necessário ir até as últimas consequências (e elas foram).

Você já fez alguma coisa que depois se arrependeu amargamente? Olhem para os autores principais desse negócio.

Homens prestigiados, pessoas de currículos invejáveis, políticos dos mais altos cargos no governo, mas juntos se fizeram atrozes, atores ridículos de uma cena cruel. Os maiores culpados são eles.

O oito de janeiro está aí, é bom trazer à memória, antes que algum ignorante nos faça querer esquecer. Os responsáveis foram apontados, mas os remanescentes estão por aí.

São vozes que ecoam do fundo dos porões da truculência, do absurdo, da funesta prole gerada pela política autoritária e burguesa (se é que podemos usar o termo).

O acontecido naquele dia de domingo era o desfecho do que fora planejado desde anos anteriores, e o que se viu ali foi o efeito da ignorância e inverossímil fala dos seus idealizadores.

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