O presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), Abraão Lincoln Ferreira, foi preso por falso testemunho ao fim de seu depoimento à CPMI do INSS nesta segunda-feira (3).
Depois das arguições dos parlamentares, o relator da CPMI, Alfredo Gaspar, requereu a prisão em flagrante do depoente. Segundo o relator, Lincoln mentiu sobre o motivo de sua saída da direção da Confederação Nacional dos Pescadores e Aquicultores (CNPA) — ele declarara que tinha renunciado ao cargo, quando na verdade tinha sido afastado como medida cautelar — e “negou por meio do silêncio” conhecer Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, mas admitiu o vínculo ao responder a outras perguntas.
Lincoln também teria mentido sobre a natureza de sua relação com Gabriel Negreiros, tesoureiro da CBPA, e sobre o alcance da procuração passada a Adelino Rodrigues Junior.
— Adelino tinha amplos poderes para movimentar recursos da CBPA, e, com esses amplos poderes, enviou R$ 59 mil para a esposa do procurador geral do INSS de então, Virgílio Antônio, e R$ 430 mil para João Victor Fernandes em espécie.
Antes de concordar com o pedido, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), lembrou que “o silêncio também fala” e manifestou sua esperança com os rumos da comissão parlamentar mista de inquérito.
— Encerramos um ciclo de impunidade e começamos o tempo da verdade, em nome dos aposentados, das viúvas, dos órfãos e da esperança que ainda vive no coração do Brasil.
Esta não é a primeira vez que o nome de Abraão Lincoln aparece em investigações de grande porte. Em 2015, ele foi alvo da Operação Enredados, da Polícia Federal, que investigava venda ilegal de permissões para pesca industrial.
Na época, Abraão presidia a CNPA (Confederação Nacional dos Pescadores e Aquicultores) — entidade distinta da atual CBPA. Embora não tenha sido preso durante a deflagração da operação, ele se apresentou dias depois à Polícia Federal em Porto Alegre (RS).
Uma década depois, em abril de 2024, o dirigente voltou a ser notícia ao se tornar réu em uma ação penal eleitoral. O processo trata de falsidade ideológica na prestação de contas de campanha de 2014, quando ele concorreu a deputado federal pelo PRB.
De acordo com apurações realizadas até o momento, o processo instaurado em março de 2020, tramita na 2ª Zona Eleitoral de Natal/RN, no qual o ex-candidato é suspeito de receber doações financeiras que não constam em sua prestação de contas.
Em 26 de fevereiro de 2023, Abraão entrou com um pedido de trancamento do processo, por meio de um Habeas Corpus, no entanto, o MPE (Ministério Público Eleitoral) optou pelo não acolhimento do pedido, alegando a necessidade de mais diligências e informações.















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