Por Henes Dácio Urbano Muniz.
Não é natural que entendamos as coisas como um subproduto das nossas posições políticas. É muito pobre pensar assim.
As marcas que estão nas prateleiras das lojas e supermercados, estão lá para serem compradas por esse ou por aquele consumidor, e o que passar disso pode parecer algo irracional pra não dizer idiotice.
Uns escolhem suas mercadorias pela cor, pela marca, pelo poder aquisitivo ou por toda essa lista conjuntamente.
Até dias atrás não havia a menor desconfiança em nós por usarmos este ou aquele negócio simplesmente porque não parávamos pra fazer avaliações tão insignificantes. Agora corremos o risco de resumir as pessoas pelo que elas usam nos pés e não no seu caráter ou falta dele.
Onde está a lógica desse embrutecimento das nossas análises sobre às pessoas pelo que elas têm sob os seus pés ou acima de suas cabeças?
Seria natural que as pessoas mais influentes da política, das artes e da cultura como um todo nos levassem para um debate digno de como nos comportarmos como indivíduo e sociedade, como análises profundas sobre educação, desenvolvimento social, segurança, saúde e outras infinidades de demandas pertinentes ao complexo pertencimento de um povo ou nação.
Não é sobre o que nos pertence, mas sobre o que nos tornamos ou sobre o que podemos nos tornar, caso façamos desses ideais tacanhos a que estamos sendo levados a sermos. Não ousemos classificar as pessoas pelo seu estereótipo, não ousemos desclassificá-las por não associar-se com meus ideais ou pelo o que eu considero importante.
Não sejamos assim.
O fato das pessoas terem pontos de vista diferentes ao que eu considero correto quanto a moralidade, a ética, os meus usos e costumes e até por minha relativa espiritualidade, não pode e nem deve desconstruir ou desconstituir o que os outros consideram importantes para si mesmo ou para determinado grupo.
Eu não posso querer que os outros pratiquem o Evangelho, sendo que elas não são evangélicos.
Os valores do reino mais excelso devem vislumbrar em mim para que os outros queiram o evangelho não por imposição dos primeiros rudimentos como pelo uso da força, pois não é por força, muito menos por discursos entranhados de falas chulas que não revelam a força celestial do Amor Ágape de Deus para com os homens feitos sua imagem e semelhança.
Para vivermos em uma sociedade multiforme, eu obrigatoriamente preciso entender a multiplicidade de ideias nos diversos grupos que contém numa sociedade.
O simples fato de não pertencer a direita não significa que eu sou da esquerda e vice-versa. É uma ignorância tamanha pensar assim, e ainda que eu pertença a esse ou aquele grupo, as demandas entre nós e eles devem acontecer através do debate plausível, franco e amigável.
Vivemos num país de dimensões continentais, com facetas diferentes do regionalismo, da cultura, do sotaque, da etnia, e por aí vai, mas vivíamos até há não muito tempo harmonicamente mesmo num país de tantas diferenças.
Hoje parece que vivemos em dois lados completamente opostos e o que é pior: não há nada no horizonte mostrando que vem ventos de mudança. Já existe quem defende esses extremos com o uso da força e da violência.
Onde pretendemos chegar cercados por ideias que beiram o ridículo a ponto de pensar que uma propaganda está recheada de insultos contra ou a favor desse ou de outro grupo?
Vinte e seis vem aí com palanques políticos abarrotados de ideias que nos separa ao invés nos unir.
O respeito é uma virtude valiosa e onde há respeito o ignóbil se desfaz.
Vençamos pelo poder da oratória, da racionalidade, das boas práticas, do perdão, do reconhecimento, da nobreza de caráter, do amor ao próximo, da paciência para com aquele que não comungam comigo, da coragem e acima de tudo, da paz com os homens, pois no que depender de nós, devemos ter paz com todos os homens, como bem o disse o Apóstolo Paulo.















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