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O jornalismo está sendo desmontado e pouca gente está falando sério sobre isso

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Por Victor Costa – Jornalista.

Tudo começou quando o Gilmar Mendes ajudou a consolidar o entendimento de que diploma não era mais necessário pra exercer a profissão. Na época, venderam isso como liberdade de expressão. Na prática, foi o início da banalização. Porque liberdade de expressão nunca foi sinônimo de exercício profissional.

Aí vem 2026 e o cenário piora. A Lei nº 15.325 regulamenta a profissão de multimídia e, na prática, institucionaliza algo que já vinha acontecendo. Qualquer pessoa com celular na mão passa a ocupar o mesmo espaço de quem passou anos estudando, apurando, errando e aprendendo dentro de uma redação.

Pessoas que nunca estudaram ética jornalística e, muitas vezes, nem entende o impacto do que publica estão tomando espaço do profissional que estudou e se preparou na faculdade para enfrentar as ruas. E vamos falar a verdade? O mercado vem adorando isso. Profissional formado custa mais caro. Questiona mais. Apura mais. Dá trabalho.

Já o “multimídia” que nunca pisou numa faculdade, aceita qualquer condição e ainda entrega engajamento. O resultado é que o jornalismo virou produto barato.

Hoje você vê gente opinando sem apurar,
manchete feita pra clique e não pra informar, erro sendo tratado como detalhe e o mais grave é que ninguém vem sendo responsabilizado.

E o jornalista formado? Vai sendo empurrado pra fora ou obrigado a se adaptar a um jogo onde qualidade virou desvantagem competitiva.

Não é sobre ser contra criador de conteúdo. É sobre não aceitar que jornalismo, uma atividade essencial pra democracia, seja tratado como qualquer coisa.

Porque quando tudo vira “conteúdo”, a verdade vira opcional. E quando a verdade vira opcional, alguém sempre paga essa conta. E a gente sabe que não é quem publica.

Jornalismo exige método, apuração, checagem e responsabilidade pública.
Conteúdo digital, na maioria das vezes, responde a outra lógica que envolve engajamento, velocidade e alcance.

O problema começa quando o mercado deixa de diferenciar. E isso já está acontecendo. Os sinais são claros, queda na exigência de qualidade da informação, desvalorização do profissional especializado e perda gradual de confiança do público.

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