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Apesar de Neymar, vou torcer pelo Brasil

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Caio César Muniz – Jornalista.

Acho que a primeira Copa do Mundo que tenho lembrança de vivenciar de fato foi a de 1982. Foi também o primeiro sofrimento com a nossa Seleção. Icônica, com ídolos que ultrapassaram seus tempos como Zico, Júnior, Falcão, Sócrates e tantos outros. Não gostava do Waldir Peres, goleiro e acho que, juntamente com Serginho Chulapa, contribuíram para a nossa derrota em campo para a Itália, do nosso carrasco Paolo Rossi.

As Copas seguintes foram tão ruins que nem lembro, até a chegada da Seleção de 1994. A última Seleção de fato mágica, com Romário no seu auge, Bebeto, Dunga, Ronaldinho começando sua carreira e Taffarel, o nosso herói do tetra. Ou seja, eu já tinha 22 anos quando testemunhei a primeira vitória do Brasil em uma Copa do Mundo de Futebol.

A Copa de 2002 foi a Copa de Ronaldinho, como dizemos na gíria futebolística: “comeu a bola”. Mas não supera a mágica do grupo de 1994, mesmo com alguns gigantes como Rivaldo, Káká, Roberto Carlos e outro Ronaldinho, o Gaúcho.

As Copas seguintes foram tão ruins que nem lembro. Há não ser a trágica goleada de 7 x 1 sofrida pelo nosso grupo de 2014. O técnico era Luiz Felipe Scolari e tínhamos em campo nomes fortes como o goleiro Júlio César, laterais como Dani Alves e Marcelo e no ataque Fred, Hulk e ele, Neymar. O pior de tudo: foi no Brasil. Melhor esquecer.

Eis que estamos às vésperas da Copa do Mundo de 2026. Uma Copa meio apagada, um grupo jovem, como tem que ser, um técnico estrangeiro, mas que parecem ainda não ter conquistado a torcida. Não se vê entusiasmo, camisas amarelinhas e bandeiras nas ruas. Lógico, a famigerada polarização política se instaurou até nisto.

Quando vemos alguém com a camiseta da Seleção, remetemos logo à direita e extrema-direita do Brasil e por parte da esquerda, já há quem queira vestir até uma recém-criada camiseta vermelha.

Não abrirei mão do meu direito de vestir a camisa “canarinho”, alusão àquela saudosa camiseta de 1982. As nossas cores não têm donos, assim como a bandeira, símbolo nacional. não investirei rios de dinheiro, por duas razões: por achar injusto e por não ter, mas comprarei algumas réplicas no camelô mais próximo.

Vou torcer pelo Brasil. Não tem como ser diferente. Não faz sentido torcer por um país que não seja o meu. Se estou empolgado? É claro… que não… a molecada e o próprio técnico ainda não convenceram ninguém de que podem chegar lá, mas pela qualidade dos primeiros adversários: Marrocos, Haiti e Escócia, é possível que passemos à próxima fase, mas Copa do Mundo é Copa do Mundo, tudo pode acontecer.

Como no Brasil tudo tem que ter polêmica, inclusive na Copa, a deste ano é a convocação de Neymar. “Bichado” e sem ter participado de nenhum jogo prévio da Seleção, foi bancado pelo técnico Ancelotti, sob a pressão do lobby político, religioso e empresarial, foi convocado. Se entrará em campo, são outros quinhentos.

Se concordo com a convocação? Não. Acho que faz tempo que Neymar deixou de ser jogador de futebol. Se transformou num destes novos profissionais chamados de “digitais influencers”. Polêmico, brigão, desrespeitoso, pode nos trazer mais problemas que solução. Deus queira que eu esteja errado.

Mesmo assim, apesar de Neymar, a partir do dia 11 de junho, torcerei pela nossa Seleção e espero ao final voltar a entoar o canto de há muito tempo atrás: “A taça do mundo é nossa/Com brasileiro, não tem quem possa…”.

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